segunda-feira, 5 de março de 2012

Participação no Fórum de Discussão do Projeto PMA do Ciência Viva

PMA - Questões emergentes
Se por qualquer motivo uma mulher não tiver um útero funcional (ou porque nasceu com essa condição, ou porque na sequência de uma doença grave ele tiver sido removido), acha que ela deve ter a possibilidade de recorrer ao útero de outra mulher - a chamada "maternidade de substituição" - para poder ter filhos? Gostaríamos de ouvir a vossa opinião fundamentada.
Alexandre Quintanilha

 É fácil perceber os problemas éticos associados a esta questão, uma vez que esta incorpora uma série de elementos contraditórios. Em primeiro lugar, devemos focar-nos na componente psicológica da mulher que se oferece para ter o bebé, uma vez que a gravidez é um processo muito mais complexo do que uma simples alteração física. Durante a gravidez a mãe e o bebé estabelecem uma ligação emocional. É um período extremamente frágil e qualquer alteração poderá despoletar na mulher a vontade de reivindicar o direito por natureza de ficar com o seu filho.
Em segundo lugar devemos analisar esta questão a partir do ponto de vista das mulheres que não podem ter filhos naturalmente. Esta condição comporta uma série de problemas em termos individuais, uma vez que estas podem sentir-se frustradas e impotentes relativamente a este assunto. Mas qual será efectivamente a solução? Devemos proibir a existência de barrigas de aluguer devido aos riscos psicológicos envolvidos? Mas se o fizermos, como é que as mulheres, com o útero não funcional, poderão ter filhos e acima de tudo acompanhar o seu desenvolvimento durante o período de gravidez?

Inês Sousa, Inês Lemos, Ana Duarte.

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