Realizado por Inês Sousa
Realizado por Inês Castro
| PMA: questões estruturantes |
As objecções
apresentadas contra a criação de excepções ao princípio geral da
proibição dos contratos de maternidade de substituição poderiam também
sê-lo contra a permissão do uso das técnicas de PMA (de todas, insisto).
Pois se o Acaso, a Natureza, ou Deus - conforme as convicções religiosas ou crenças de cada um - não "quiseram" que aquele casal pudesse gerar/produzir descendência pelos "meios naturais", mais exactamente, pela prática, ocasional ou continuada, do coito vaginal completo, porque haveria de ser permitida a "correcção" desse "defeito"? E, porque a Lógica é uma "coisa" terrível, porque razão parar aí? Seguindo essa linha de raciocínio, porque devemos nós produzir e usar medicamentos? Pois não são as bactérias também seres vivos? Coloco, portanto, a questão: é ética ou moralmente aceitável e justo (ou justificado) que a Humanidade "desperdice" recursos, que são finitos e escassos, para corrigir algo que constitui um "desvio da normalidade"? Por outro lado, então os progenitores e em particular, por estar em discussão a maternidade de substituição, as mães biológicas, não sentem constrangimentos quando entregam os filhos para adopção? E não ficam elas traumatizadas com a perda? (Para já não falar das crianças, que sentem bem mais do que abandono). E em especial para os que pretendem candidatar-se a Faculdades de Direito (mas também para os outros, nomeadamente os que gostarem de Filosofia):
b) considerando que o primado da pessoa humana constitui o pilar fundamental do "território" civilizacional em que nos inserimos - o dito "Ocidente" (e ainda bem que sim, digo eu, sem quaisquer complexos de culpa) -, até que ponto é legítimo que a Comunidade e que o seu "braço armado", o Estado, se imiscua na vida privada das pessoas, especialmente se não estiver a ser violado o princípio, tão grato a tantas profissões, mas especialmente aos médicos, consubstanciado na expressão "não fazer mal aos outros"? c) poderá/deverá ser reconhecida personalidade jurídica - ou seja, a dignidade de serem chamados seres humanos - aos fetos ou até aos embriões, concedendo-lhes direitos a ser exercidos contra os que nasceram com vida? É sempre conveniente pensar bem e muito, antes de começar a "falar". Os pensamentos e as palavras têm consequências e podem "partir mais ossos" do que uma cena de pancadaria. Eurico Marques dos Reis - Juiz Desembargador Presidente do CNPMA |
| Eurico Reis |
| PMA - Questões emergentes |
Se por qualquer motivo
uma mulher não tiver um útero funcional (ou porque nasceu com essa
condição, ou porque na sequência de uma doença grave ele tiver sido
removido), acha que ela deve ter a possibilidade de recorrer ao útero de
outra mulher - a chamada "maternidade de substituição" - para poder ter
filhos? Gostaríamos de ouvir a vossa opinião fundamentada.
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| Alexandre Quintanilha |